A campainha da escola toca para intervalo. A aparente calma e o silêncio dão lugar a uma multidão entretida com as actividades das listas concorrentes à associação de estudantes. “Stor, stor! Fiz aquilo que me disse e resultou”, ouve-se um aluno, de passagem pelo professor, ladeado de alunos.
O cargo de presidente do Conselho Executivo não o impede de estar presente entre os estudantes, seja através dos clubes e dos vários projectos que coordena e dirige, seja simplesmente nos intervalos, muitas vezes na sala dos alunos, onde os jovens o desafiam para uma partida de matraquilhos, ou até mesmo numa aula de substituição que faz questão de dar quando é preciso.
Mas não são apenas os alunos que lhe reconhecem as capacidades de liderança. Colegas, pais, parceiros e funcionários são os primeiros a tecer elogios. “Todos sabemos que liderar uma realidade tão diversa nem sempre é fácil e o professor João Paulo consegue fazê-lo como se da sua casa se tratasse”, lê-se num parecer do Conselho Pedagógico.
Apesar de considerar que numa escola “há sempre mais e mais para fazer”, João Paulo Mineiro fala com satisfação dos projectos que acompanha e dirige, desde o museu da escola ao projecto democrático de eleição para a associação de estudantes, passando pelo laboratório de línguas e pelas diversas parcerias da escola com universidades, empresas e outras instituições.
Dentro e fora da aula, organiza eventos, funda clubes escolares, aposta na dinamização das actividades a partir do envolvimento dos próprios alunos, cria jogos para os incentivar, concursos para animar a revisão da matéria, e procura ligar assuntos do quotidiano às aprendizagens.
A maior parte dos colegas atribui-lhe o mérito de ter contribuído para a construção de uma escola de excelência, onde diariamente decorrem inúmeros projectos nas mais diversas áreas do saber, onde todas as salas estão equipadas com quadros interactivos, onde os alunos assumem a responsabilidade de compor o seu próprio espaço (a sala dos alunos foi pintada por eles), onde não se vê um único papel no chão.
Mais: onde os espaços verdes são cuidados por um auxiliar que se disponibiliza a ajudar porque tem o curso de jardinagem, onde os pais costuram os trajes tradicionais exibidos pelos alunos em peças de teatro e que fazem parte do museu da escola. Onde há um trabalho conjunto de toda a comunidade educativa. Onde os alunos só podem apresentar uma lista para a associação de estudantes que trace concretamente os objectivos e proponha projectos de intervenção em áreas concretas. Onde os alunos se sentem bem.
Mas nem sempre foi assim. Quando começou a leccionar, na então Escola n.º 3 da Covilhã, desafiou-o o facto de ser uma escola que recebia os alunos de povoações de áreas limítrofes da cidade com um baixo nível socioeconómico e cultural e ainda muitos alunos com problemas variados e necessidades educativas especiais.
O desafio levou-o a criar inúmeros projectos que envolveram e mobilizaram grande número de alunos e de professores, abriram a escola à comunidade, motivando e proporcionando uma convergência de esforços de autarquias, de empresas e de associações em torno dos mesmos objectivos.
A população escolar era constituída pelos alunos que eram “dispensados” pelas outras duas escolas do concelho, alunos com necessidades educativas especiais, alunos com problemas pessoais, sociais e comportamentais. Neste sentido, fundou clubes, dinamizou acampamentos, promoveu campos de férias para alunos mais fracos e em risco de abandono escolar, desenvolveu actividades de campo e de contacto com a natureza, bem como actividades desportivas.
Levou a cabo estes projectos com a ajuda de parceiros que recrutou desde equipas de técnicos de saúde a colegas, a auxiliares e a psicólogos. Não tardava que o reconhecessem como um líder exemplar, mobilizando grande parte da comunidade escolar, que reconhece o seu empenho e adere com entusiasmo às suas iniciativas.
A proposta de escola que defende assenta numa nova visão do currículo que procura proporcionar respostas adequadas e diferenciadas às diferentes necessidades e características de cada aluno.
Para proporcionar essas respostas, João Paulo Mineiro está sempre pronto para aprender. “Temos de falar”, diz em linguagem gestual uma aluna ao professor na sala de informática. Este responde da mesma forma, porque, confessa, faz questão de aprender a comunicar com todos os alunos.
Percurso académico
– Licenciatura em Ensino de Biologia e Geologia (1990)
– Master of Education in Supervision, University of Nottingham (mestre em Supervisão, por equiparação, pela Universidade do Algarve)
– Diploma de Estudios Avanzados no âmbito do Programa de Doctorado da Universidad de Salamanca em Educación de Personas AdultasPercurso profissional
– Presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária com 3.º Ciclo Quinta das Palmeiras (desde 1998)
– Presidente do Conselho Pedagógico da Escola Secundária com 3.º Ciclo Quinta das Palmeiras (de 1995 a 2007)
– Presidente do Conselho Directivo da Escola Secundária N.º 3 da Covilhã (de 1996 a 1998)
– Professor da Escola Secundária com 3.º Ciclo Quinta das Palmeiras (desde 1991)Outras experiências profissionais
– Vice-presidente do Conselho Nacional das Escolas
– Representante da Educação nas Novas Oportunidades – Covilhã
– Representante da Educação no Núcleo Executivo Reinserção Social de Integração – Covilhã
– Representante da Educação no Núcleo Executivo da Comissão Local de Acção Social – Covilhã

